A invenção da fotografia, ocorrida no período da Revolução Industrial, permitiu, desde o seu surgimento, uma expansão gradativa na produção e no uso de imagens, primeiramente de forma mais seletiva e quase individual e, posteriormente, de maneira mais massificada, com as ilustrações fotográficas em jornais e revistas e o uso de imagens em mídias publicitárias.
A fotografia é cópia de um referente, ou seja, de algo ou de alguém - pessoa, objeto, paisagem, animal, acontecimento etc. - reproduzido como imagem. No mundo da representação fotográfica, o referente é uma primeira realidade, e a imagem é uma segunda realidade. Esta última quase sempre sobrevive à primeira, pois, como documento, pode existir por muitos anos após o desaparecimento - morte ou destruição - de seu referente. A imagem fotográfica é polissêmica por natureza, passível de inúmeros significados. Possui um sentido denotativo representado de modo literal por aquilo que se vê registrado em seu suporte físico, e um sentido conotativo que corresponde à sua polissemia.
Para ser utilizada, a imagem fotográfica deve ser organizada, o que implica análise e tematização de seu conteúdo, indexação, armazenamento e recuperação.
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A história da humanidade foi e ainda é marcada pela presença da imagem como um dos principais mecanismos de comunicação entre os homens, que a utilizaram na forma dos mais variados suportes e técnicas, tais como "madeira, pedras, argila, osso, couro, materiais orgânicos em geral, metais, papéis, acetatos, suportes digitais, [...] desenho, pintura, escultura, fotografia, cinema, televisão, web [...]" (RAMOS, 2007, p. 1).
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Desde a pré-história, as imagens fizeram parte das relações entre os homens e, mesmo após a invenção da escrita, continuaram a ser fundamentais na comunicação humana. Os povos antigos comunicavam muitos de seus conhecimentos valendo-se de imagens, principalmente porque a maior parte das populações não dominava "os mistérios" da escrita. Ler e escrever era privilégio de poucos e sinônimo de certa distinção social. Funcionários (na maioria das vezes de origem plebéia) "incumbidos de ler e escrever gozavam de respeito e distinção" (COSTA, 2005, p. 18). Na Idade Média o monopólio da leitura e da escrita era reivindicado pela Igreja, que tinha nas bibliotecas dos mosteiros verdadeiros "exércitos de copistas". Mas a grande massa populacional continuava iletrada e dependente das imagens.
Segundo Manguel (2006, p. 143),
No século VI, o Papa Gregório, o Grande, havia declarado: 'uma coisa é adorar um quadro, outra é aprender em profundidade, por meio dos quadros, uma história venerável. Pois aquilo que a escrita torna presente para o leitor, as pinturas tornam presente para os iletrados, para aqueles que só percebem visualmente, porque nas imagens os ignorantes vêem a história que devem seguir, e aqueles que não conhecem o alfabeto descobrem que podem, de certa maneira, ler. Portanto, especialmente para o povo comum, as pinturas são o equivalente da leitura'.A invenção da imprensa permitiu que mais pessoas pudessem ter acesso aos livros e à leitura e, nesse contexto, embora a imagem continuasse a exercer seu papel - inclusive como ilustração de muitos livros -, a escrita passou a dominar os meios de transmissão de conhecimento existentes, minimizando o significado da imagem. A educação e a ciência passaram a basear-se no texto escrito. Somente no início do século XIX, com a expansão do capitalismo - que exigia que povos com diferentes idiomas se expressassem de uma maneira comum -, a imagem foi retomada como meio de comunicação. Os jornais começaram a ilustrar suas matérias, primeiro lentamente, pois seus proprietários tinham receio da reação negativa dos leitores. Iniciou-se então um novo processo de convivência texto-imagem.
O século XX foi marcado pelo desenvolvimento de tecnologias e idéias que levaram à maior compreensão da imagem e de sua importância não só como meio de comunicação, mas como auxiliar significativo para as tarefas de pesquisa e ensino. A imagem deixou de ser apenas arte e transformou-se em informação e conhecimento. Expandiu-se por meio de jornais, revistas científicas e de entretenimento, televisão e fotografia. As novas tecnologias computacionais desenvolveram maiores possibilidades de produção e uso de imagens, permitindo uma hipermidiação com outros modos de comunicação.
No século XXI, "o universalismo da linguagem visual aparece como uma possibilidade de se alcançar um maior número de pessoas, rompendo-se as fronteiras do nacionalismo: fotos, filmes e programas de TV unem audiências do mundo todo sob as mesmas mensagens." (COSTA, 2005, p. 36). A comunicação extensiva (MIRANDA; SIMEÃO, 2003), através da computação, que faz uso do hipertexto, acelerou a hipermidiação principiada em fins do século XX e aumentou maciçamente o uso de imagens.
Imagens que aparecem de diversas formas, ora como ilustrações que são acrescidas às informações da escritura alfabética do hipertexto, ora como mapas criados pelos autores de hipertextos que auxiliam os navegantes a se localizarem nos mares abertos e infinitos da informação. (RIBEIRO, 2007, p. 1).
Existe uma quantidade incalculável de imagens sendoproduzida atualmente e colocada ao alcance do público. É preciso aprender a pensar por meio delas usando-as de maneira adequada para os fins a que se destinam.
A criação de imagens vincula-se a uma causa ou a um fim específico, seja ele religioso, político, ideológico, publicitário, educacional, informacional, ilustrativo, artístico etc., sempre com uma ligação às características sociais, culturais, religiosas, econômicas etc. de cada sociedade ou grupo.
RODRIGUES, Ricardo Crisafulli. Análise e tematização da imagem fotográfica. Ci. Inf. [online]. 2007, vol.36, n.3, pp. 67-76.
Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0100-19652007000300008&script=sci_arttext&tlng=es Acessado em: 15 set. 2010