quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Imagem, Arquivologia e História

A Arquivologia define como documento qualquer “registro de uma informação independente da natureza do suporte que a contém” (PAES, 1986, p. 8). A partir dessa definição, documento é livro, folheto, revista, relatório, fita magnética, disco, microfilme, etc ..., ou seja, todo material escrito, cartográfico, cinematográfico, fotográfico e sonoro.

Entretanto, o mesmo autor define documento de arquivo como “aquele que, produzido e/ou recebido por uma instituição pública ou privada, no exercício de suas atividades, constitui elementos de prova ou de informação” (PAES, 1986, p. S), ou, no caso de arquivos privados, como “aquele produzido e/ou recebido por pessoa física no decurso de sua existência” (PAES, 1986, p. 9).

Desse modo, o que irá caracterizar o documento de arquivo é seu caráter de organicidade e de proveniência e não suas características físicas. O documento de arquivo não tem valor por si só, mas o adquire dentro de um contexto, de um todo orgânico. Ele não pode ser desmembrado e disperso entre os documentos de outras instituições ou pessoas físicas. Deve ser sempre mantida sua ordem original e de proveniência. O documento de arquivo só tem significado se reunido num todo que irá explicar e justificar sua existência

A história tradicional considerava os documentos escritos como única fonte de consulta para a pesquisa histórica. A partir da Escola dos Annales, em 1929, o campo da pesquisa se amplia e a história passa a considerar como documento, segundo Lucien Lefebvre, “tudo o que, pertencendo ao homem, depende do homem, serve ao homem, exprime o homem, demonstra a presença, a atividade, os gostos e as maneiras de ser do homem” (CARDOSO, 1989, p. 43). O que ocorreu, a partir da Escola dos Annales, foi um alargamento da definição do termo documento até então restrita à documentação escrita.

Atualmente, documento se refere não apenas ao documento escrito, mas também ao visual, ao oral, ao magnético, atingindo uma amplitude semelhante ao conhecimento humano. Esta verdadeira revolução documental, segundo Glénisson, acentuou-se a partir da década de 60 e perdura até os dias atuais, quando a tecnologia fez emergir,novos tipos de documentos. O avanço tecnológico e o surgimento de novos suportes exigem do historiador um domínio de técnicas de interpretação cada vez mais diversificadas e específicas.

A história nova de caráter científico irá identificar novos objetos e métodos, ampliando quantitativa e qualitativamente os horizontes da história tradicional. A história das mentalidades encontrará espaço nessa nova concepção de história, incluindo o imaginário e a iconografia.

A história tradicional estudava os fatos únicos. Na história nova, assim como na Arquivologia, os fatos são explicados pelo todo, pelo contexto em que estão inseridos. Nenhum fato ou ato histórico existe isolado; eles aparecem sempre no conjunto do processo histórico. Podem ser vistos e examinados isoladamente,mas funcionam em relações estruturadas, articulam-se com todos os componentes da realidade, conformam-se ao todo do sistema real (RODRIGUES, 1969, p. 31).


Atualmente, não existem controvérsias, para a História ou para a Arquivologia, com relação ao valor da imagem como documento. Segundo Maria Lúcia Cerutti Miguel, os arquivos deixaram de ser exclusivos depósitos de atos oficiais resultantes de atividades econômicas ou administrativas. Tornaram-se instituições destinadas a recolher, organizar, conservar e tornar acessíveis os documentos da memória (...) Memória captada não mais nos acontecimentos, mas no tempo longo, menos nos textos e mais nas palavras, nas imagens e nos gestos (...) (MIGUEL, 1993, p.123).
 
SILVA, Maria Leonilda R. da, A imagem na Arquivologia e na História. In. Arq. & Adrn., Rio de Janeiro, v. 1, n. 2, p. 47-55, jul./dez. 1998.

Um comentário:

  1. Olá,estou iniciando minha monografia e gostaria de fazer uma pergunta que servirá como fonte inspiradora para o pontapé inicial deste trabalho academico:
    Segundo Paes,"os docs históricos de hoje,foram os administrativos de ontem e os docs administrativos de hoje serão os históricos de amanhã",diante desta afirmação,qto tempo o Arquivo considera para que efetivamente um doc gerado a partir dos anos 90 seja tratado como de valor permanente? meu trabalho contempla a fotografia gerada a partir do advento da camera digital.
    Obrigada!
    pengtata@ig.com.br

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